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RIO – Novos sinais de recuperação da economia americana fizeram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechar em alta nesta quarta-feira pelo terceiro pregão seguido, atingindo nova pontuação recorde no ano. O Ibovespa – principal indicador brasileiro – fechou em alta de 0,89% a 67.971 pontos, com volume negociado de R$ 5,910 bilhões. Este é o maior patamar desde 17 de junho de 2008, quando o índice estava em 68.437 pontos. O Ibovespa acumula ganhos de 10,35% no mês e de 80,87% em 2009. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,52% a R$ 1,726 nesta quarta-feira, somando desvalorização de 1,76% em novembro e de 26,14% no ano. Mais uma vez, o Banco Central interveio no mercado de câmbio, realizando leilão para compra de dólares a R$ 1,7345, pouco antes de 13h.
A valorização das commodities contribuiu para a alta da Bovespa. Vale PNA ganhou 0,62% a R$ 43,37; e Petrobras PN aumentou 0,76% a R$ 39,45. A estatal informou que efetuará, no dia 30 de novembro, pagamento sob a forma de Juros sobre o Capital Próprio, no valor de R$ 0,30 por ação ordinária ou preferencial. Receberá o dinheiro quem detinha ações da empresa no dia 3 de julho deste ano.
Outro fator que contribuiu para erguer o Ibovespa foi o anúncio de que o governo brasileiro prorrogou o IPI reduzido para materiais de construção até o fim de junho de 2010 e estabeleceu alíquota zero para os principais móveis de madeira, plástico e aço, entre outros, até o fim de março. Duratex, a maior fabricante de painéis de madeira do país, subiu 4,2%, a R$ 15,20. A ação ON da Itaúsa, sua controladora, avançou 2,86%, a R$ 11,47.
Entre as siderúrgicas, Usiminas ON saltou 2,66% a R$ 50,01, beneficiada também pela prorrogação da redução do IPI para veículos flex de até mil cilindradas, anunciada na terça-feira à noite.
No setor bancário, a preferencial do Itaú Unibanco teve alta de 1,83%, a R$ 38,79, e a ação PN do Bradesco avançou 0,41%, a R$ 36,35, na esteira de dados do Banco Central sobre o crescimento do crédito no país. Por sua vez, a ação ON da BM&FBovespa subiu 0,42%, a R$ 11,94.
A maior alta do Ibovespa ficou com Cosan ON, que disparou 5,31% a R$ 20,80, com perspectivas de aumento do preço do açúcar devido à alta das importações indianas.
Na ponta oposta, ações de empresas de telefonia lideraram as perdas. Telesp PN caiu 2,40% a R$ 43,48, Brasil Telecom PN perdeu 2,08% a R$ 17,91; e Telemar PNA cedeu 1,94% a R$ 65,80. De acordo com analistas do setor, a possibilidade de recriação da Telebrás pelo governo como forma de aumentar a oferta de banda larga no país, anunciada ontem, não agradou o mercado.
- Embora não haja nada de concreto na proposta, os investidores entenderam que a volta da estatal aumentaria a competição no setor – disse Maria Tereza Azevedo, da corretora Link Investimentos.
Em Wall Street, o Dow Jones aumentou 0,29%, enquanto o Standard Poor´s 500 teve alta de 0,45%, e o Nasdaq Composite ganhou 0,32%. Na Europa, as bolsas também fecharam em alta. O índice londrino FTSE-100 avançou 0,77%; o DAX, de Frankfurt, aumentou 0,58%; e o CAC-40, de Paris, teve valorização de 0,65%.
Hoje, o Departamento do Trabalho americano surpreendeu os agentes ao informar que o número de novos pedidos por seguro-desemprego nos Estados Unidos caiu em 35 mil para 466 mil na semana passada, o menor patamar em 14 meses.
O Departamento de Comércio também trouxe dados alentadores ao informar que as vendas de casas novas nos Estados Unidos tiveram alta de 6,2% no mês passado, para uma taxa anualizada ajustada de 430 mil ante a marca de 405 mil em setembro. Foi a sexta vez nos últimos sete meses em que houve avanço no indicador. Além disso o órgão reportou alta de 0,7% nos gastos dos consumidores em outubro, acima das expectativas de analistas.
Além disso, uma pesquisa mostrou que a confiança do consumidor está melhorando. O índice final das apurações feitas pela Reuters/Universidade de Michigan sobre a confiança do consumidor subiu em novembro a 67,4, ante 66,0 na primeira metade do mês. O resultado ficou levemente acima das expectativas do mercado.
Por outro lado, os novos pedidos de bens duráveis nos Estados Unidos cederam 0,6% no mês passado, na segunda queda mensal nos últimos três meses.
Para Nicholas Barbarisi, sócio e diretor de operações da Hera Investimentos, os indicadores divulgados nesta quarta-feira reforçaram o otimismo com a recuperação da economia americana. Segundo ele, a alta poderia ter sido maior não fosse o feriado de amanhã nos Estados Unidos, o que deixa os investidores mais cautelosos na montagem de operações.
- As perspectivas positivas para a economia brasileira em 2010 já estão precificadas pelo mercado. As atenções estão voltadas para a economia americana, e os dados de hoje deram sustentação ao otimismo – disse Barbarisi.
O dia também trouxe notícias positivas da Europa e da Ásia. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no terceiro trimestre foi revista para baixo nesta quarta-feira. A economia britânica contraiu-se 0,3% no período perante os três meses antecedentes. Inicialmente, o governo britânico havia estimado queda de 0,4% na economia da região. A revisão foi guiada por uma atualização dos dados referentes ao setor de serviços.
No Japão, a queda das exportações perdeu fôlego. O Ministério das Finanças mostrou que as vendas externas caíram 23,2% em outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi o menor recuo registrado neste ano.
Bolsas da Ásia fecharam em alta
As bolsas de valores da Ásia fecharam em alta nesta quarta-feira. Os agentes se focam em indicadores da região e ainda repercutem os dados sobre a evolução da economia dos EUA.
O índice Nikkei 225, de Tóquio, fechou em alta 0,43%, aos 9.441,64 pontos. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,84%, aos 22.611,80 pontos. Em Xangai, o Shanghai Composite, subiu 2,07%, para 3.290,16 pontos. O Kospi, de Seul, teve valorização de 0,34%, aos 1.611,88 pontos.
Ontem, o mercado recebeu a revisão, de 3,5% para 2,8%, do crescimento da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre, divulgada pela manhã pelo Departamento do Comércio americano. Depois disso, o Fed divulgou a minuta do comitê de mercado aberto (Fomc, na sigla em inglês), onde elevou de 2,7% para cerca de 3% a projeção para o crescimento do PIB do país no ano que vem. O Ibovespa fechou a sessão de negócios em alta de 0,76%, aos 67.317 pontos, mas alguns analistas apontam tendência de volatilidade nos próximos pregões, já que o mercado está pouco propenso a assumir riscos.