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Projeções otimistas não condizem com o momento da bolsa. Quem irá se ajustar?

Hera Investimentos

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Por: Beatriz Nantes
12/08/10 – 11h22
InfoMoney

SÃO PAULO – Após terminar o primeiro semestre do ano com desvalorização de 11,16%, o Ibovespa ensaiou recuperação, chegando a bater sua maior alta semanal na terceira semana de julho, quando subiu 6,39%. Com este rali, o primeiro mês do segundo semestre trouxe para o índice valorização de 10,8%, a maior desde maio de 2009.

Ainda assim, o índice segue distante de sua máxima do ano (71.784 pontos, alcançados em abril), e mais ainda dos targets previstos para o final de 2010, que giram em torno dos 80 mil a 82 mil pontos.

Mesmo tendo diminuído as perdas no segundo semestre, o Ibovespa permanece em queda no ano – 4,08% ao final do pregão desta quarta-feira (11). Diante deste cenário, quem deve se ajustar: as projeções para o final do ano ou o Ibovespa?

“Ibovespa vai disparar”
Para superar os 80 mil pontos até o final de 2010, o principal índice da bolsa precisa avançar pelo menos 21,6% nos quatro meses e meio restantes do ano. O cenário é endossado por alguns analistas, que acreditam que a partir do quarto trimestre a euforia deve retornar ao mercado.

Hamilton Alves, estrategista do Banco do Brasil, que possui target de 83 mil pontos para o Ibovespa ao final do ano, acredita que o principal driver será a melhora no cenário norte-americano, com avanço em fundamentos como consumo e desemprego.

“A bolsa vive de fases, os altos e baixos e a volatilidade são normais. No quarto trimestre a euforia vai voltar”, aposta Alves.

O otimismo é compartilhado por Alan Oliveira, da Futura Investimentos, que cita outro ponto para justificar sua projeção: os resultados corporativos. Já mostrando avanços no segundo trimestre, eles devem melhorar ainda mais nos próximos períodos. Assim, Oliveira mantém o target do Ibovespa em 80 mil pontos.

Oliveira ainda lembra que a Europa, cujo cenário pessimista pesou sobre os mercados no primeiro semestre em função da situação fiscal de muitos países do continente, já mostra sinais de melhora e isso passará a ser sentido também mais para o final do ano.

“Bolsa antecipa o movimento”
O estrategista do BB lembra que a bolsa costuma antecipar o cenário econômico, citando o momento da crise financeira de 2008, quando os mercados acionários se recuperaram rapidamente, enquanto a economia demorou mais. E como as projeções são muito positivas para a economia nos próximos dois anos, a partir do quarto trimestre os investidores já vão estar precificando e as bolsas devem avançar.

A projeção de Alves é que a economia norte-americana avance entre 3% e 3,5% este ano, e continue em alta em 2011, mesmo que menor, de cerca de 2% ao ano. Para o Brasil, a estimativa do estrategista é de crescimento de 7% este ano e em torno de 5% para 2011.

Outro ponto é o volume financeiro da Bovespa, que está maior na alta do que na queda. “Nas onze altas seguidas, o volume estava mais alto, em R$ 6 bilhões, R$ 7 bilhões por dia, enquanto nas sessões de queda, está em R$ 4 bilhões, R$ 5 bilhões”, comenta Alves, para quem este é um bom sinal.

“Otimista, mas não tanto”
Lucas Mathias, assessor de investimentos da Geral Investimentos, se mostra mais cauteloso. “Estamos otimistas, não acreditando em grandes quedas, mas não tanto para acreditar que o Ibovespa possa superar o topo deste ano, principalmente porque já estamos em agosto e ainda há dados externos vindo abaixo do esperado”, resume, dizendo que vai ser difícil superar a barreira dos 71 mil pontos.

A visão se baseia fundamentalmente em dois vetores: o cenário externo e a capitalização da Petrobras. Indicadores recentes da China e indefinições na Europa preocupam, e com relação à petrolífera, os temores ficam com os rumores dos últimos dias de que a capitalização pode ser adiada em função das eleições, e acabe acontecendo só em 2011.

“A Petrobras tem um peso muito forte no índice, se a ação ficar abaixo dos R$ 30, dificilmente [o Ibovespa] vai conseguir romper a máxima do ano”, sustenta Mathias, que acredita que as ações da blue chip tendem a se valorizar após a capitalização.

Ele lembra ainda que apesar dos bons resultados, o mercado não está reagindo bem aos números. “Um exemplo é a CSN, que já é um ativo muito bom, e divulgou resultados que foram muito elogiados por analistas, mas caiu na sessão”, cita. “Uma projeção acima de 80 mil pontos, chegando a 85 mil, é muito otimista, até mesmo exagerada”, finaliza.

Médio prazo
O analista-chefe da XP Investimentos, Rossano Oltramari adota projeção mais conservadora: ele acredita que o índice pode chegar aos 80 mil pontos, mas não estabelece se isso ocorrerá em dezembro ou no primeiro semestre do ano que vem.

“É difícil dizer se no dia 31 de dezembro o índice vai estar em 80 mil. Mas as premissas macroeconômicas, a perspectiva de que a economia vai continuar crescendo e os resultados corporativos fortes permitem dizer que o Ibovespa tem capacidade sim de atingir esse patamar no médio prazo”, observa Oltramari.